Acho estranho pensar em Guaíba.
Cidadezinha da região metropolitana de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, onde morei até mais ou menos seis anos de idade.
Tinha uma avenida grande à beira rio, grande e bonita, onde passavem muitos carros, e tinha uma sorveteria. E também era por ali que se chegava na casa de um amigo meu super legal. Tinha um bar lindo chamado Caizinho, onde os adultos sempre iam (duvido muito que fossem mais de 3 ou 4 vezes por ano, mas eu lembro como se fosse sempre.). Lá no Caizinho eu lembro de correr entre as mesas, jogar iô-iô (era uma campanha publicitária de refrigerantes, algo assim – iô-iô’s com marcas estampadas nas laterais), e ficar no trapiche dos fundos, tentando achar pedalinhos em forma de cisne. Eu não sei se alguma vez teve algum deles no Caizinho mesmo ou se eu vi em outro lugar e simplesmente transportei pra lá, é uma lembrança bem vaga. Mas é mesmo uma lembrança, eu acho, essa dos pedalinhos.
Em alguns trechos, tinha umas muretinhas na lateral da rua, que serviam como proteção, eu acho, pra ninguém cair no rio. Lembro muito de passar correndo por ali, tentando correr de lado, como se corresse na parede. Era realmente difícil, e muito legal.
Dali dava pra ver a Usina do Gasômetro, que ficava do outro lado do rio, em Porto Alegre. E dava pra ver uma ilha que tinha servido como prisão durante a ditadura militar. Achava aquilo incrível, ainda que não fizesse idéia de o que era a ditadura militar, só sabia que era ruim e tinha homens maus.
Mais a frente tinha a Praça da Maçã. Tinha esse nopme porque tinha um brinquedo genial: uma maçã gigante pendurada num cabo, que ia andando de uma torre pra outra como se estivesse voando. A parte legal é que a gente podia sentar na maçã e ir encima dela. Quer dizer, não podia sempre. Lembro que muitas vezes ela não estava lá, e lembro, ou acho que lembro, de alguma vez já ter sido pequena demais pra andar nela. Essa praça era muito grande, tinha até pista de skate, campo de futebol, pracinha (com balanço, vai-vem, gangorra, etc), e um brinquedo que era super legal, e acho que na verdade era algum tipo de equipamento público para praticar exercícios. A pista de skate parecia tão grande pros nossos tamanhos diminutos (nós, eu, meus primos e evenmtuais amigos), que nossa brincadeira era ficar correndo de um lado pro outro dela, tentando subir. A gente nunca conseguiu, acho. Uma vez passei por lá vários anos depois, e descobri que a tal pista era tão pequena que eu com um pulo bem impulsionado conseguiria subir, enfim.
No final da rua ficava a casa de uma amiga minha, a Hanna, que era filha duma amiga bicho-grilo da minha mãe. Tinha bastante verde na casa dela, várias plantas. Pelo menos eu lembro assim. Ela tinha vários brinquedos legais também, mas não lembro quais. Claro que não era só isso o que tinha no final da rua, mas é só isso que eu tinha pra fazer praqueles lados, então é só o que lembro.
Acho bom e estranho lembrar de lá, mesmo. É sempre assim, meio lúdico. As lembranças de vários anos se misturam, e eu não sei se tinha dois, ou quatro, ou seis anos. Sempre vêm à minha mente como se fosse tudo bom, tudo feliz, tudo tranquilo.