dia de crise.

Mau dia, mau dia.

Acordei ao meio dia, quebrando um relógio biológico que demorei um bom tempo pra conseguir ajustar.  Eu tava acordando demanhã todo dia, e, por incrível que pareça, gostando disso. Acordar demanhã é bacana, o dia fica mais produtivo. Eu fico mais produtivo, pelo menos. Acordar tarde é vadiagem certa: acorda detarde, liga a televisão, arruma uma coisa fácil e rápida pra comer, e aí não precisa nem sair da cama, o dia tá feito ali mesmo. Desde que tenha cigarros, e eu não tinha.  Mau dia, mau dia. Me arrastei até o mercadinho, comprei cigarros e uma boa carga de bolachas recheadas.

Passar o dia todo na cama sem fazer nada pode ser muito pior do que parece. Fico revezando meu tempo entre a minha doce Rita (minha guitarra), as bolachas, algum filme ou coisa do tipo na televisão e o computador. Que grande bosta, eu sou mesmo um inútil!  Essas crises de achar que eu deveria me aquietar e me juntar ao resto do mundo têm acontecido cada vez mais, mas eu não posso, não posso. Imagina, quanto tempo de vida disperdiçado? Anos e anos me esforçando para modelar a mente mais analítica, imparcial e alheia aos agentes alienantes que eu pude, e da qual eu me orgulho pra cacete,  pra depois calar a boca e viver, por livre e espontânea vontade, um teatrinho de vida ideal? Jamais! Resistirei.

Mas, definitivamente, esse é um daqueles dias em que eu me envergonho de não estar trabalhando, estudando, ou algo assim. Um dia eu ainda supero isso e viro um sem-vergonha assumido, mas enquanto isso, e principalmente pelo fato de eu estar sem grana pra nada, precisava tomar uma atitude. Liguei pra minha irmã, que conhece uma boa parte da turma da boemia da cidade (mais gente viva em volta de mim, que maravilha!), e ela disse que vai me arrumar um trabalho num bar de um amigo. Não seria nada sério, eu só trabalharia lá de vez em quando. Quando o cara precisar, ele me liga, e eu vou. Um tipo de trabalho de garçom-freelancer que parece fazer sucesso entre os estudantes há anos. Eu já trabalhei algumas vezes assim em outros bares, e no fim das contas é até divertido ficar servindo cerveja para os bêbados. Bêbados são muito, muito engraçados.

Então é isso, agora eu vou me arrumar e vou lá falar com o dono do bar. Sei que em algum momento me arrependerei, afinal, a partir do momento que eu combinar algo com ele, terei um compromisso, uma RESPONSABILIDADE, e eu realmente odeio ter responsabilidades. Mas o que se pode fazer, afinal?

C’est la vie.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

You are commenting using your Twitter account. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

You are commenting using your Facebook account. Sair / Alterar )

Connecting to %s

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.