talking about my generation.

Me irrito pacas com esse bando de imbecís acéfalos que os mais velhos ousam chamar de ‘minha’ geração. O que eles fazem? O que eles querem? Quem são eles? Essa turma não tem uma identidade, não tem personalidade. Não tem nenhuma causa a ser abraçada por todos. Nenhum movimento cultural, nenhuma ditadura militar, nenhuma revolução.  Até tem, mas eles não conseguem ver. Foram muito bem doutrinados e convecidos a acreditar que o tempo de mudanças acabou, está tudo bem agora – a política é uma merda, mas se chama democracia, que beleza! Todo mundo rouba de todo mundo, mas somos livres para escolher o ladrão mais legal. Revolução é coisa de comunista, movimento cultural é coisa de hippie. Não tem mais grandes bandas poraí. Todas elas têm em seu público um grupo seleto de jovens de um determinado estilo e meio social. Não se vê emos se misturando com mods na mesma festa, por exemplo. Eles não são unidos por nada, não têm conexão, e não querem ter.

Estão todos na eterna busca e construção da vida ideal padrão – nascer, crescer, se reproduzir e morrer. Claro, na adolescência todo mundo (ou quase) tem um sopro adicional de vida. É o momento crucial, o ponto em que eles podem decidir se querem viver vivos ou mortos. Todo mundo faz festa, faz sexo, fica muito louco, e poraí vai. Mas no fim, a grande maioria continua fazendo o que se espera deles. Até a adolescência deles é planejada. Eles vão fumar e beber escondidos, experimentar maconha, namorar, fazer muita festa…. Mas claro, se esforçando pra tirar boas notas na escola e entrar para a faculdade, afinal, temos um futuro brilhante pela frente. Aí se formam, arrumam um emprego bacana, constituem família, trabalham o dia inteiro pra sustentar os filhos, depois se aposentam, ficam velhos, e invertem os papéis com os filhos, que passam a cuidar dos pais. Isso no modelo ideal, se não acontecerem ‘incidentes’ no caminho, tipo divórcio,  grandes brigas de família, demissão do emprego, etc. Desconfio que no meio de um incidente desses, poderia se reviver algumas pessoas. Mas enfim… Céus, há quanto tempo é assim? Ah, são tão poucos os que escolhem ser vivos.

Talvez eu seja muito prepotente por pensar assim e achar que estou vendo tudo isso de fora, achar que posso ver as coisas como elas realmente são. Talvez elas nem sejam assim, afinal.Talvez eu seja mais um bostinha qualquer. Mas não me parece muito possível. Essas pessoas são muito NORMAIS – e essa normalidade deles me parece completamente absurda. Sério, como é que pode?

Mas eu até entendo, deve ser mais fácil ser um imbecíl acéfalo mesmo. A vida deles parece muito fácil mesmo – eles já nascem com ela toda pronta, é só seguir a receita. A vida de gente viva é mais difícil. Eu jamais conseguiria me habituar a trabalhar num escritório, por exemplo, fazendo tudo o que me mandam sem questionar o porque, ou sem nem saber o que estou fazendo. Para eles, isso é normal. Aí a gente é obrigado a se virar de algum jeito, afinal, querendo ou não, vivemos no meio da lama toda, e não tem como sair muito fora. Eu ainda não sei o que vai ser da minha vida, não tenho nenhum plano muito sólido. Talvez eu entre pra faculdade, pra conseguir um pouquinho mais de espaço no mundo, e um pouquinho mais de volume na minha voz. Mas não sei ainda.

Por enquanto, me dedico a ser um filho da puta de primeira, que não é ninguém no mundo, e não tem nada melhor pra fazer do que ficar aqui criticando a sociedade em rede mundial, sem ao menos apresentar uma alternativa de mudança – porque eu, sinceramente, não sei o que poderia ser feito. Mas eu queria que eles se ligassem que ALGUMA COISA precisa ser feita.

1 Comentário

  1. Mari'elm disse,

    janeiro 26, 2010 às 12:33 am

    Olá queridinho, saca só: tu tem o argumento, e tal. Mas saiba que somos vítimas das nossas circunstâncias. São tempos apáticos. É tipo onda só de espuma. Cadê a substância? Sei lá, né. Tanto anseio e receio. Análise demais faz de Cuca um mau rapaz.


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